Arquitetos usam lama e garrafas PET para criar uma casa notável

Comparada pelos arquitetos e designers da firma Wallmakers a uma cobra enrolada sob uma rocha em um dia quente, esta casa – batizada de Chuzhi, que na língua malaia significa redemoinho – é definida por seu telhado intrincado e torcido. Continue lendo para entender como alguns arquitetos usam lama e garrafas PET para criar uma casa notável.
A casa se aninha com sensibilidade em um local desafiador e também apresenta um nível impressionante de sustentabilidade, pois ela foi parcialmente construída com cerca de 4.000 garrafas plásticas recicladas.
A ideia do projeto Chuzhi surgiu quando a Wallmakers foi contratada para criar uma residência situada em um terreno rural no sul da Índia, considerado por muitos como inadequado para construção. A firma projetou a Chuzhi de forma que ela não dominasse excessivamente a paisagem ao seu redor. Por conta desse desejo, a Chuzhi fica de forma aninhada em um afloramento rochoso e que envolve várias árvores, incluindo uma grande, perto de seu centro.
Durante o processo de construção da Chuzhi, a Wallmakers coletou pacientemente as garrafas plásticas que haviam sido descartadas nas imediações do terreno. Estas foram então preenchidas com concreto e cobertas com o solo tirado de seu entorno para ajudar na formação da construção da casa.
Além disso, a residência tem piso de madeira recuperada, enquanto as paredes também foram formadas principalmente a partir da terra circundante, por meio de uma técnica de construção em estilo espiga, que normalmente mistura argila e palha para produzir uma estrutura incrivelmente resistente, quando bem feita.

“Chuzhi é um projeto que ajuda a entender o que pode ser construído em locais estranhos e que geralmente são considerados ‘inadequados’ para a construção”, explicou a Wallmakers. Situada em um condomínio fechado chamado Sanctity Ferme, e em um local pitoresco chamado Shoolagiri, o proprietário estava angustiado, pois na periferia da comunidade havia lotes obscuros e indesejados, caracterizados por uma topografia rochosa e íngreme, árvores enormes e vegetação densa, tornando as pessoas relutantes em construir casas por lá, pois, além disso, a área disponível parecia pequena.
“A ideia era fazer uma casa subterrânea que se originasse do leito rochoso, formando vários redemoinhos ao redor da árvore e em união criasse um espaço privado e seguro para os residentes, garantindo que a densa vegetação e o ecossistema continuassem a prosperar de forma inalterada”, disse a firma.

A peça central do interior da casa é o complexo telhado em espiral, feito de forma intrincada, com vigas curvas e vidro. Junto com as paredes envidraçadas da residência, o telhado ajuda a maximizar a luminosidade interna.
A casa mede aproximadamente 200 m² de cômodos espalhados por um único andar – e conta com uma área de estar simples e aberta que abriga uma cozinha e uma sala de jantar. Em outra área, há um quarto principal e um quarto secundário.
A decoração da casa é de bom gosto, com tons terrosos e móveis simples de madeira para que possam combinar com a zona rural. A varanda é sombreada pelas árvores que estão ao seu redor. A Chuzhi também possui uma área de jacuzzi, construída de forma natural na própria rocha.
Esta casa não é a primeira que vimos incorporar garrafas de plástico em sua estrutura. Outros projetos já fizeram isso antes: a Beach House e a Plastic Bottle Village.
Fonte: Wallmakers
Artigo original (em inglês) publicado por Adam Williams na New Atlas.

Sobre o autor
Adam Williams vasculha o mundo a partir de sua casa, na Espanha, para trazer o melhor da arquitetura inovadora e do design sustentável para as páginas da New Atlas. A maior parte de seu tempo livre é gasta brincando com música, mexendo em computadores Macintosh antigos e tentando manter na estrada seu ônibus VW ainda mais antigo.