Perda da biodiversidade torna os mosquitos ainda mais sedentos por sangue humano

Mosquito pousado na pele de uma pessoa ilustra o post cujo título diz que a perda da biodiversidade torna os mosquitos ainda mais sedentos por sangue humano.
Conhecer as fontes de alimentação dos mosquitos é essencial para entender o papel que desempenham na transmissão de doenças como a dengue, zika e chikungunya. Crédito: PxHere/CC0 Domínio Público.
  • A maioria dos mosquitos coletados mostrou padrão antropofílico, reforçando seu papel como vetores de arboviroses e algumas doenças parasitárias.
  • Quase 7% dos mosquitos capturados estavam alimentados, mas os dados ainda revelam tendências significativas.
  • Uma proximidade entre comunidades humanas e fragmentos da Mata Atlântica aumenta o risco de transmissão de doenças, exigindo monitoramento constante.

Um estudo conjunto realizado por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) investigou os hábitos alimentares de mosquitos (Diptera: Culicidae) durante o período crepuscular em fragmentos da Mata Atlântica, onde estão localizados o Sítio Recanto Preservar e a Reserva Ecológica de Guapiaçu (REGUA), ambos no estado do Rio de Janeiro. O objetivo principal foi identificar as fontes de sangue que esses insetos utilizam, além de compreender melhor suas interações ecológicas e epidemiológicas em ambientes de alta biodiversidade.

O estudo partiu do pressuposto de que conhecer as fontes de alimentação dos mosquitos é essencial para entender sua ecologia e, sobretudo, o papel que desempenham na transmissão de doenças como a dengue, zika e chikungunya. Para isso, foram aplicadas técnicas moleculares avançadas, incluindo o sequenciamento de DNA (gene citocromo b – Cytb), que permitem identificar com precisão a origem do sangue ingerido pelos insetos.

No total, foram capturados 2.077 mosquitos, mas “como havia alguns que estavam quebrados pelo transporte da mata até o laboratório, acabamos tendo apenas 1.714 analisados” (número corrigido na nova versão do artigo), disse à Sustenare News o Prof. Sérgio Machado, da UFRJ, e um dos corresponding authors do artigo. Do total capturado, apenas 145 fêmeas (6,98%) estavam ingurgitadas (empanturradas).

A análise revelou uma tendência marcante: a maioria das espécies coletadas apresentava preferência por sangue humano, evidenciando um padrão de antropofilia – preferência pelo convívio humano. Esse resultado sugere que muitos mosquitos agem como vetores de arboviroses (grupo de doenças causadas por vírus transmitidos por artrópodes, como mosquitos e carrapatos) e de algumas doenças parasitárias, principalmente em áreas de contato entre populações humanas e ambientes naturais.

Imagem da Reserva Ecológica de Guapiaçu ilustra o post cujo título diz que a perda da biodiversidade faz mosquitos buscarem sangue humano.
Trilha dos Alagados na Reserva Ecológica de Guapiaçu (REGUA), Região Serrana do Rio de Janeiro. Crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil.

Os autores destacam que, embora o número de mosquitos ingurgitados tenha sido relativamente baixo, os dados obtidos são significativos para compreender sua dinâmica de alimentação em ecossistemas complexos como a Mata Atlântica. Além disso, o estudo ressalta a importância de aprimorar continuamente as metodologias de identificação das fontes de sangue, de modo a ampliar o conhecimento sobre as interações entre mosquitos, hospedeiros e ambiente.

Do ponto de vista epidemiológico, os resultados indicam que a proximidade entre comunidades humanas e fragmentos florestais pode favorecer a circulação de arboviroses, já que os mosquitos demonstram clara preferência por hospedeiros humanos. Assim, compreender esses padrões alimentares é fundamental para subsidiar políticas públicas e estratégias de controle mais eficazes contra doenças transmitidas por vetores.

Em síntese, o trabalho contribui para a ecologia dos mosquitos ao revelar sua forte inclinação antropofílica em áreas da Mata Atlântica do Rio de Janeiro, ao mesmo tempo em que fornece subsídios valiosos para a saúde pública e reforça a necessidade de monitoramento constante e de medidas integradas de prevenção de arboviroses em regiões de alta biodiversidade.

Fonte: Frontiers in Ecology and Evolution

Informações adicionais: Dálete Alves et al. Aspects of the blood meal of mosquitoes (Diptera: culicidae) during the crepuscular period in Atlantic Forest remnants of the state of Rio de Janeiro, Brazil. Frontiers in Ecology and Evolution (2026). DOI: 10.3389/fevo.2025.1721533

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Matéria publicada pela equipe Redação SN da Sustenare News.

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