Onde no mundo a tecnologia de energia limpa é produzida?
|
Getting your Trinity Audio player ready...
|
- A China segue dominando a produção global de veículos elétricos, baterias, energia solar e eólica.
- Acima de 90% da capacidade solar mundial está concentrada nesse país.
- O excesso de manufatura dessas tecnologias fez o investimento chinês no setor desacelerar fortemente em 2025, com tendência de piora até 2030.
A energia limpa está em plena ascensão. Na China e na Índia, ela cresce tão rapidamente que já começa a desafiar o reinado do carvão. Na União Europeia, a energia solar e eólica agora produzem mais eletricidade do que todos os combustíveis fósseis juntos. Mesmo nos Estados Unidos, em meio aos ataques políticos às energias renováveis, quase toda a nova capacidade de geração de energia vem de fontes limpas e baterias.
Mas quem, exatamente, está produzindo todos os painéis solares, turbinas eólicas, baterias e veículos elétricos (EVs) que possibilitam essa transição?
Em uma palavra: a China.
Vamos olhar para os números mais recentes do Clean Investment Monitor, do Grupo Rhodium e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Atualmente, mais de 90% da capacidade global de fabricação de painéis solares está na China. O país também responde por 83% da capacidade mundial de produção de baterias e quase três quartos da capacidade de fabricação de tecnologia eólica. No setor de EVs, a participação chinesa é de mais ou menos dois terços.
A liderança da China é explicada por vários fatores. Em primeiro lugar, o próprio país usa muito mais tecnologias de energia limpa do que qualquer outro, devido não apenas à sua enorme população, mas também ao esforço deliberado de Pequim para tornar a nação mais autossuficiente em energia. No ano passado, mais da metade da energia solar e eólica instalada em todo o mundo foi conectada à rede chinesa. O país também domina a adoção de EVs.

Além disso, a China também exporta enormes quantidades dessas tecnologias. A expansão da manufatura para atender aos seus próprios objetivos energéticos domésticos permitiu ao país produzir painéis solares, baterias, turbinas eólicas e veículos elétricos superbaratos, por conta de seus custos muito baixos. Isso tornou a energia limpa mais atraente para compradores em outros países.
No entanto, o investimento chinês nessas fábricas está desacelerando fortemente. No ano passado, o país investiu US$ 60 bilhões na fabricação de tecnologias limpas em geral — o que representou menos da metade investido em 2024. Em 2023, o investimento foi de US$ 50 bilhões em um único trimestre. O investimento em fabricação de energia limpa também tem sido mais lento nos Estados Unidos e na Europa, mas não está caindo no mesmo ritmo acentuado.
A China está recuando por um motivo relativamente simples: o país já construiu mais capacidade de fabricação de energia limpa do que o mundo consegue absorver no momento. A equipe do Clean Investment Monitor espera que esse descompasso piore até 2030. Diante disso, faz pouco sentido para a China continuar a construção de novas fábricas no mesmo ritmo.
No geral, o panorama da fabricação de energia limpa pode parecer um pouco diferente até o final desta década — mas apenas um pouco. Em última análise, mesmo com os Estados Unidos, Europa, Índia e outros países tendo expectativas de avançar um pouco nos mercados de baterias e EVs, a liderança da China deve continuar.
Tradução autorizada do artigo original (em inglês) publicado por Dan McCarthy na Canary Media em 20/03/2026.

Sobre o autor
Dan McCarthy é editor sênior na Canary Media, depois de ter a mesma função na Morning Brew, onde supervisionou a área de tecnologia e editou matérias sobre uma variedade de tópicos, incluindo tecnologia climática. Ele cresceu em New Jersey, graduou-se na Universidade de Delaware e atualmente mora em Hudson Valley com sua esposa e dois gatos.
