Chief Sustainability Officers estão se tornando irrelevantes?

Desenho de algumas pessoas conversando para ilustrar o post cujo título pergunta: Chief Sustainability Officers estão se tornando irrelevantes?
Será que a sustentabilidade tende a perder importância sem os Chief Sustainability Officers nas empresas? Crédito: Julia Vann/Trellis Group/Reprodução.
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  • O Chief Sustentability Officer (CSO) deixou de ser apenas um símbolo de progresso e passou a ser um cargo contestado, à medida que a sustentabilidade se aprofunda nas funções centrais dos negócios.
  • Críticos argumentam que o CSO está perdendo relevância porque influência sem autoridade não basta quando a sustentabilidade torna-se importante do ponto de vista financeiro e operacional.
  • Defensores contrapõem que as complicações crescentes — do risco climático à geopolítica e à inteligência artificial (IA) — tornam mais essencial do que nunca o papel executivo integrador e sistêmico do CSO.

Durante grande parte das últimas duas décadas, o CSO foi um avatar corporativo do progresso. Se uma empresa tinha um, isso sinalizava seriedade — em áreas como o clima, impacto social, governança, transparência, resiliência e outras.

Isso está mudando. Em alguns círculos, o CSO agora é visto menos como vanguarda e mais como vestígio, um burocrata mais do que um construtor. A questão, ainda em grande parte sussurrada, é direta: o CSO está se tornando cada vez mais irrelevante?

A resposta, inconvenientemente, é sim e não.

Por um lado, a estratégia e a implementação de sustentabilidade foram empurradas para unidades e funções de negócios — compras, finanças, jurídico — reduzindo a necessidade de um departamento singular. Por outro lado, alguém dedicado no nível executivo precisa “assumir” a estratégia, os objetivos, os compromissos e a transparência em sustentabilidade de uma organização.

Ou seja, isso está sujeito a debate.

Estaremos conduzindo esse debate no próximo mês, no palco da GreenBiz 26, em uma sessão plenária de 90 minutos dedicada a apresentar ambos os lados dessa questão existencial. Vou apresentar o debate junto com Sophie Lambin, CEO da Kite Insights, que já organizou debates como este em Davos, nas Climate Weeks, e em conferências da COP, entre outros lugares ao redor do mundo.

Tive a sorte de participar de dois debates da Kite Insights sobre outros temas, tanto como debatedor (na COP28 em Dubai, em 2023, defendendo a proposta “Podemos melhorar nossas habilidades para sair da crise climática”), ou como co-apresentador (na Climate Week NYC em setembro — “A IA fará o trabalho da natureza”). Empregando o estilo de debate de Oxford, com duas equipes de três pessoas trocando argumentos, tais debates são tão divertidos quanto esclarecedores.

O vencedor, determinado pelo público, não é a equipe que está “certa”, mas a mais persuasiva.

O formato incentiva a consideração cuidadosa de ambos os lados. Em Dubai, por exemplo, fui encarregado de apresentar um argumento contrário à minha crença. (Minha equipe venceu.)

Quais são alguns pontos que provavelmente serão levantados no GreenBiz 26? Aqui está minha opinião dos argumentos que você ouvirá, embora eu tenha bastante certeza de que os debatedores trarão seus próprios temperos para a ocasião.

O argumento da irrelevância

Em algumas empresas, a sustentabilidade tornou-se a responsabilidade de todos ou de ninguém. O risco climático fica sob a alçada das finanças. As emissões da cadeia de suprimentos pertencem ao setor de compras. A sustentabilidade dos produtos é responsabilidade do P&D. As divulgações para investidores ficam a cargo do setor jurídico. A estratégia é tratada por… bem, pela estratégia. Desse modo, o CSO muitas vezes paira acima de tudo – coordenando, persuadindo e traduzindo – mas com pouca autoridade direta.

Isso fazia sentido quando a sustentabilidade era marginal. Faz menos sentido agora que ela ficou relevante.

À medida que a sustentabilidade amadureceu, o papel do CSO muitas vezes não evoluiu na mesma velocidade. Muitos CSOs ainda não têm controle direto sobre a alocação de capital, design de produto ou decisões operacionais. Eles focam em relatórios, estruturas e reputação em vez de focarem na criação de valor. Seu poder é de influência, não de comando.

Some-se a isso o retrocesso político que pressiona as empresas a manterem discretas suas iniciativas de sustentabilidade, a incerteza regulatória e a fadiga de ESG dos últimos anos. Não é surpresa que o papel do CSO tenha se tornado um foco de críticas — responsável por navegar em uma guerra cultural com menos ferramentas, menos apoio e orçamentos menores do que tinham há alguns anos.

E então temos o paradoxo do talento. Profundamente conhecedores da ciência climática, direitos humanos ou engajamento de stakeholders, os CSOs podem ser menos fluentes em finanças, operações ou em concessões de P&L. Numa era em que a sustentabilidade precisa competir diretamente com o crescimento [da empresa], resiliência e pressão por margens, essa lacuna importa.

Vista por essa perspectiva, o cargo de CSO pode parecer transitório — útil para um capítulo, mas destinado a se dissolver na medida em que a sustentabilidade é absorvida pelas funções centrais.

O argumento da relevância

Descartar o CSO não é apenas prematuro, mas um equívoco sobre o momento em que estamos.

A sustentabilidade tornou-se mais complexa, mais interconectada e mais significativa. O risco climático agora é sistêmico. As cadeias de suprimento são geopolíticas. A escassez de água é local e aguda. A IA e os data centers estão impactando os sistemas de energia, aquíferos e o uso da terra. A perda da natureza tem afetado a segurança alimentar e os mercados de seguro.

Isso não é um problema de coordenação que se resolve sozinho.

O que os melhores CSOs fazem — e o que poucos outros executivos estão posicionados para fazer — é integrar áreas diferentes. Eles conectam a ciência do clima ao planejamento de capital, os direitos humanos às compras, o risco regulatório à estratégia de produtos e as restrições planetárias de longo prazo às decisões de negócios de curto prazo. Esse tecido de conexão não se forma por acaso. Ele requer um papel sistêmico e um mandato sustentado ao longo do tempo.

Além disso, um número crescente de CSOs traz uma profunda experiência empresarial para suas funções, alguns já tendo atuado em cadeias de suprimento, finanças e outras áreas críticas da empresa. Eles podem desempenhar um papel essencial para reduzir a lacuna comum existente entre a sustentabilidade e as metas tradicionais de negócios.

Sem um executivo sênior cuja função seja continuar fazendo perguntas desconfortáveis sobre compensações, horizontes de tempo e externalidades, entre outras coisas, a sustentabilidade tende a perder importância.

Então, o que você acha? Posso garantir que, independentemente de suas inclinações atuais, você sairá deste debate com novos insights e inspiração. Talvez você até passe a pensar de forma diferente sobre o seu trabalho.

Artigo original (em inglês) publicado por Joel Makower na Trellis.

Sobre o autor
Joel Makower é presidente e cofundador do Grupo Trellis, uma empresa de mídia e eventos com foco na interseção de negócios, tecnologia e sustentabilidade. Por mais de 30 anos e por meio de sua escrita, fala e liderança, Makower tem ajudado empresas a alinhar questões ambientais e sociais prementes com o sucesso dos negócios.

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