Custo de materiais de construção pode subir com bloqueio em Ormuz

Imagem de quatro navios no mar do Estreito de Ormuz ilustra o post que diz que o custo de materiais de construção pode subir com bloqueio em Ormuz.
O navio de assalto anfíbio USS Essex, à direita, e o navio de carga seca e munição USNS Wally Schirra transitam pelo Estreito de Ormuz em formação. Crédito: Sargento Alexis Flores, U.S. Navy /Wikimedia Commons CC-BY-2.0.
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  • Custo de materiais de construção pode subir com bloqueio em Ormuz, segundo alerta da consultoria global Linesight.
  • A crise energética e logística, agravada pelo conflito no Golfo, causa um impacto direto na produção e no transporte de materiais.
  • O conflito pode atrasar projetos e aumentar os custos da construção civil, ao elevar os preços do aço, alumínio, cobre e cimento.

O bloqueio contínuo do Estreito de Ormuz pode elevar os preços dos materiais de construção, alertou um estudo da consultoria global de construção Linesight. Se a interrupção continuar no Estreito de Ormuz — uma via navegável estreita entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos — a indústria da construção deve se preparar para preços mais altos de alumínio, aço, cobre e cimento, afirma o relatório.

O Irã atualmente restringe o acesso à via navegável utilizada para transportar um quinto do suprimento mundial de petróleo, após os ataques dos EUA e de Israel ao país, criando um gargalo para o comércio internacional de óleo e gás. O bloqueio também eleva os custos de energia e de transporte, o que deve gerar um efeito cascata nos custos de produção e frete de materiais de construção. Segundo a Linesight, esta crise exacerba o impacto contínuo do conflito na região, incluindo a interrupção na rota comercial Mar Vermelho-Suez.

“A interrupção recente não é um evento isolado… é o acúmulo de volatilidade energética, logística restrita e risco geopolítico em múltiplas rotas”, disse o vice-presidente da Linesight, Derek McNamara, no relatório.

Bloqueio pode ter maior impacto no alumínio

Em sua análise, a Linesight afirmou que o ponto de estrangulamento poderia ter um impacto especialmente grande no custo do alumínio, largamente o segundo metal mais utilizado na construção, depois do aço. Em grande parte, isso se deve ao fato dos países do Golfo produzirem aproximadamente 9% do suprimento global, predominantemente para a exportação, enquanto dependem de importações de bauxita e alumina para produzi-lo.

A suspensão do fornecimento de gás também fez com que uma fundição usada para fabricar alumínio no Catar interrompesse as operações em 3 de março, enquanto a fundição Aluminium Bahrain também paralisou os envios, de acordo com o relatório.

O aço também deve ser impactado pela escalada dos preços da energia e pela oferta mais restrita, uma vez que a fabricação de aço é intensa em energia e os fornos dependem fortemente de combustíveis como o gás.

Da mesma forma, o aumento dos custos energéticos resulta em custos mais altos na produção de cimento, por conta do processo de fabricação do material que exige alto uso de energia. O cimento também é pesado para transportar, o que significa que um aumento nos custos de frete, por causa de rotas interrompidas e desviadas, deve elevar ainda mais o preço do material.

“Uma interrupção de curta duração pode ser absorvida, mas um período prolongado de aumentos elevados nos custos energéticos e no frete redefiniria as bases de preço do cimento entre as regiões”, diz o relatório.

Embora a região do Golfo não produza muito cobre, ela lidera o fornecimento de enxofre, um subproduto da produção de óleo e gás, essencial para o ácido sulfúrico usado no processamento do minério de cobre. A Linesight disse que a guerra colocou “quase metade das exportações globais de enxofre em risco”, o que significa que as fundições de cobre enfrentam potenciais faltas de ácido, acelerando a subida dos preços do cobre.

Ataques dos EUA e Israel danificaram mais de 40.000 edifícios civis

Em uma reportagem da BBC, o fechamento efetivo do Estreito de Ormuz pelo Irã elevou hoje o preço do barril de petróleo para mais de US$100. As preocupações no relatório da Linesight são ecoadas pelo fornecedor de materiais de construção do Reino Unido, Travis Perkins, que afirmou estar considerando aumentar os preços.

“Na última semana, mais ou menos, recebemos comunicações de muitos de nossos fornecedores de manufatura dizendo que estão considerando sobretaxas de energia ou aumentos de preços para neutralizar as altas energéticas”, disse Gavin Slark, CEO da Travis Perkins.

A atual onda de ataques dos EUA e Israel ao Irã começou em 28 de fevereiro, matando o líder supremo iraniano Ali Khamenei. O Irã retaliou com ataques de mísseis e drones contra Israel e países aliados dos EUA, além de bases [americanas] em todo o Oriente Médio.

Uma análise do grupo humanitário Sociedade do Crescente Vermelho Iraniano descobriu que 42.914 edifícios civis no Irã foram danificados por ataques aéreos dos EUA e Israel. Por sua vez, os ataques iranianos também causaram danos a edifícios notáveis em todo o Oriente Médio. O famoso marco de Dubai, o Burj Al Arab, por exemplo, foi danificado por ataques iranianos no início deste mês. Há vídeos que mostram chamas e fumaça saindo da base do hotel de 321 metros de altura.

Fonte: Dezeen

Este texto foi traduzido diretamente do artigo original publicado em inglês por Lizzie Crook no site da Dezeen, a qual detém os direitos autorais sobre o mesmo e proíbe que ele seja reproduzido a partir do site da Sustenare News. Caso deseje republicar algum artigo da Dezeen, por favor, leia os termos dos direitos autorais da empresa.

Sobre a autora
Lizzie Crook é a editora de arquitetura da Dezeen. Ela se formou em arquitetura pela Universidade de Sheffield, antes de ingressar na revista como assistente editorial em 2018. Em 2023, Lizzie recebeu uma menção honrosa na categoria Jornalista de Arquitetura do Ano, no International Building Press Awards, e foi finalista para o mesmo prêmio em 2022 e 2025.

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