Do que as equipes de sustentabilidade devem se preparar

Imagem de pessoas mostrando cartazes de protesto em passeata ambiental ilustra o post cujo título diz: Do que as equipes de sustentabilidade devem se preparar.
A história mostra que coalizões improváveis podem se manter unidas ou se fragmentar ao longo de linhas partidárias dentro de uma década. Imagem ilustrativa gerada por IA /Duckai.
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Resistência aos data centers. Choques nos preços da energia ligados à guerra com o Irã. Um possível Super El Niño. Um sentimento crescente contra os oligarcas e contra as “big techs”. As ameaças às normas democráticas e câmeras de leitura de placas de veículos provocando uma reação repentina em cidade após cidade. Todos estes são “curingas” que estão convergindo como questões de primeira ordem. Do que as equipes de sustentabilidade devem se preparar para ver chegar? Sua equipe de sustentabilidade está acompanhando esses movimentos?

Algumas dessas questões são tendências já estabelecidas. O que há de novo é a possibilidade de que elas possam convergir e produzir um novo movimento, e as implicações que isso teria para as empresas.

Alguns meses atrás, eu e minha coapresentadora Solitaire Townsend fizemos um episódio do podcast “Two Steps Forward” sobre “curingas” — os eventos inesperados e difíceis de modelar que podem transformar os negócios e a sustentabilidade, aparentemente da noite para o dia. No episódio desta semana, voltamos a essa ideia com uma pergunta mais complexa: O que acontece quando vários curingas se apresentam ao mesmo tempo?

A história diz que isso pode seguir por qualquer um dos dois caminhos. Houve os protestos contra a Organização Mundial do Comércio em Seattle, em 1999, que desencadearam um processo no qual vários sindicatos, grupos ambientais e líderes empresariais encontraram um objetivo comum na energia limpa e deram origem à Blue Green Alliance, uma organização sem fins lucrativos de mobilização que perdurou por mais de uma década.

Por outro lado, a proibição do fraturamento hidráulico de Nova York, em 2014, inicialmente contou com um amplo apoio entre correntes partidárias diferentes, mas que, em poucos anos, passou a ser retratada como uma política da esquerda radical que prejudicava as comunidades da classe trabalhadora e, por isso, praticamente desapareceu.

Alianças improváveis podem se formar. Mas elas também podem se desfazer.

Licença social para operar

O que poderia manter a unidade, concordamos, não é o clima, os data centers ou qualquer tecnologia — é a desigualdade de riqueza, em um nível comparável às condições que estiveram por trás do movimento cartista da Grã-Bretanha vitoriana e da Era Dourada dos Estados Unidos. Ambos provocaram mudanças nas leis, nos costumes e nas expectativas da sociedade.

Townsend também apontou uma particularidade demográfica relevante: alguns dos comentários políticos mais acompanhados, voltados a repensar o capitalismo, a IA e outras questões, vêm de criadores na faixa dos 20 e poucos e início dos 30 anos, que falam sobre “capitalismo em estágio avançado” como se fosse uma premissa já estabelecida.

Para as empresas, tudo gira em torno de sua “licença social para operar” — a aceitação e aprovação contínuas das atividades de uma organização por seus stakeholders e pelo público em geral. O termo vem se espalhando pela economia, das indústrias de combustíveis fósseis e outras atividades extrativistas à tecnologia e à IA; para onde ele irá em seguida é uma questão em aberto.

Equipes de sustentabilidade precisam aprimorar suas antenas

Isso significa que as equipes de sustentabilidade, que no passado funcionaram como o sistema de alerta antecipado de uma empresa (mas, mais recentemente, têm se concentrado em medir e reportar dados retrospectivos), precisam aprimorar suas antenas, acompanhar as questões emergentes e se preparar para antecipar quaisquer opções de cenários aparentemente improváveis, mas potencialmente disruptivos.

É impossível saber se algumas ou todas essas questões irão se unir em um movimento social ou político. Ainda assim, nossa recomendação aos profissionais de sustentabilidade é que este é um momento para olhar para a frente — monitorar, fazer exercícios de red team e perguntar “e se?” antes que uma questão chegue à sua porta.

Two Steps Forward está disponível onde quer que você ouça podcasts, inclusive na Trellis.net. Veja os episódios anteriores em: http://twostepsforwardpodcast.com/

Artigo original (em inglês) publicado por Joel Makower na Trellis.

SOBRE O AUTOR
Joel Makower

Joel é presidente e cofundador do Grupo Trellis, uma empresa de mídia e eventos com foco na interseção de negócios, tecnologia e sustentabilidade. Por mais de 30 anos e por meio de sua escrita, fala e liderança, ele tem ajudado empresas a alinhar questões ambientais e sociais prementes com o sucesso dos negócios.


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