Torcal é o primeiro carro totalmente elétrico da Bentley
A marca de automóveis Bentley revelou hoje o Torcal. Apresentado em um evento de lançamento em Londres, o Torcal é um SUV elétrico — aliás, ele é o primeiro veículo totalmente elétrico da fabricante de carros de luxo.
Antes de sua apresentação, conversamos com o diretor de design da empresa, Robin Page, sobre como o carro equilibra um futuro elétrico com a herança da marca.
Ao contrário de outras marcas luxuosas — mais notavelmente a Ferrari e o Jaguar — a Bentley não reformulou radicalmente o formato de seu primeiro veículo elétrico.

Segundo Page, isso foi feito para criar um carro elétrico que fosse claramente moderno, mas que também fosse reconhecível como um Bentley.
Page disse que sua equipe começou a discutir a direção quatro anos atrás.
“Foi quando perguntamos: ‘Estamos fazendo um carro dedicado a uma linguagem elétrica ou deveríamos fazer outro grande Bentley com um toque mais moderno — sem foco direto na eletrificação?’”
“Decidimos que o melhor caminho seria abraçar nossa herança e nosso DNA, mas de uma maneira moderna e progressista”.
Semelhanças com outros carros da Bentley
O Torcal tem uma distância entre-eixos que é longa, mas que evoca os Bentleys anteriores. Page explicou que essa forma surgiu dos princípios de design da empresa, e não de preocupações com aerodinâmicas relacionadas à eletrificação.
“Com a eletrificação, o que principalmente conduz a linguagem da forma são a proporção do conjunto e a aerodinâmica, a qual está diretamente relacionada à autonomia”, disse ele.

“As leis da aerodinâmica conferem a ele uma forma bastante moldada e uma traseira determinada, mas decidimos que ela não deveria conduzir o projeto. O que dominou o formato foram nossos princípios de design, os quais são baseados em nosso DNA e herança”.
O Torcal incorpora elementos estilísticos de Bentleys anteriores, incluindo uma linha contínua do capô, caixas de roda traseiras marcadas e uma grade proeminente.
“Elegância absoluta, grade icônica, a linha interminável do capô e a fera em repouso — esses são nossos princípios, e deixamos que eles dominassem o design em vez dele ser dominado pela aerodinâmica”, disse Page, embora ele tenha mencionado a autonomia de 600 quilômetros do veículo.

A grade, desnecessária em veículos elétricos, ainda tem um destaque claro.
Assim como no design geral do carro, a Bentley fez referência ao passado. A marca se inspirou na grade do Continental T, mas com um toque moderno — ela pode ser iluminada em um padrão de diamantes.
Page disse que a equipe decidiu que precisava de uma grade e que fechá-la faria com que parecesse “uma mão sobre uma boca”, optando pelo que considera uma obra de arte.
Interior e cor externa do Torcal
No lançamento, o Torcal foi apresentado em um tom claro de verde-amarelado, outra atualização moderna da herança da marca.
“O verde Bentley é um verde muito mais escuro e sólido, e queríamos uma cor que mostrasse a forma, algo um pouco mais claro, essa cor funciona muito bem”, disse Page.

No interior, o carro tem um painel em formato de asa e materiais naturais, incluindo madeira e lã Merino. Ele conta com uma tela de tamanho modesto — para um carro de alto padrão — e diversos mostradores físicos.
“Não queríamos seguir pelo caminho de materiais clínicos e supermodernos, porque você acaba com essa sensação bastante austera e fria no interior”, disse Page.
“Ele realmente captura um lugar onde você quer estar, em vez de algo para o qual você olha e pensa: ‘isso é moderno’. Precisa ser algo que pareça novo, mas que seja confortável”.

A Bentley afirmou que a escolha de fazer um SUV como seu primeiro carro elétrico abrirá um novo mercado e oferecerá algo que outras marcas de carros de luxo não estão fazendo.
“A razão pela qual todos estamos fazendo SUVs é que esse é um mercado em crescimento”, disse ele. “Recebemos muitos comentários de clientes que dizem que poderiam usar este Bentley todos os dias”.
Quando chegar ao mercado ainda este ano, o Torcal será o primeiro Bentley a apresentar o logotipo redesenhado da marca, revelado no ano passado.
Fonte: Dezeen
Este texto foi traduzido diretamente do artigo original publicado em inglês por Tom Ravenscroft no site da Dezeen, a qual detém os direitos autorais sobre o mesmo e proíbe que ele seja reproduzido a partir do site da Sustenare News. Caso deseje republicar algum artigo da Dezeen, leia os termos dos direitos autorais da empresa.

SOBRE O AUTOR
Tom Ravenscroft
Editor da Dezeen, possui mestrado em história da arquitetura, tanto pela Universidade de Edinburgh quanto pelo The Bartlett. Trabalhou para várias publicações nas áreas de arquitetura e construção, incluindo a Architects’ Journal e a Construction Manager. Também contribuiu para a RIBA Journal, Icon, BD, City Metric, Architectural Review e ArchDaily.