Google aposta em reciclados para cortar sua pegada de carbono
O smartphone Pixel 10a da empresa Google, lançado em março, contém 36% de materiais reciclados, em peso — mais do que o de modelos mais recentes do iPhone da Apple. Isso inclui alumínio, cobalto, cobre, ouro, estanho, tungstênio, elementos raros, plásticos e vidro.
Foram necessários dez anos de estreita colaboração entre as equipes de sustentabilidade ambiental, design de produtos, engenharia de materiais e cadeia de suprimentos da Google para alcançar esse marco.
O trabalho, documentado em um guia e publicado em março, faz parte do compromisso da empresa de incorporar conteúdo reciclado em todos os novos produtos eletrônicos de consumo. Em 2025, por exemplo, 48% do plástico usado nos smartphones, relógios, dispositivos de automação residencial, alto-falantes e outros aparelhos da Google vieram de fontes recicladas.
Substituir o conteúdo virgem por material reciclado é uma das principais alavancas da empresa para reduzir a pegada de carbono de produtos individuais e também ajuda a enfrentar outros riscos ambientais e sociais da cadeia de suprimentos, afirmou Tameron Stuber, líder de estratégia de sustentabilidade de produtos para o portfólio Pixel da Google.
“Frequentemente, os materiais reciclados têm uma parcela menor da pegada de carbono do que a dos materiais primários utilizados e, dentro do nosso espaço de materiais responsáveis, também estamos priorizando uma química mais segura”, disse ela [recentemente]. “Também estamos protegendo a natureza e a biodiversidade dos locais de nossa cadeia de suprimentos, além de salvaguardar os direitos de nossos trabalhadores e também os de nossa cadeia de suprimentos”.
A série Pixel 10 representa a primeira incursão da Google no uso de cobalto, cobre, ouro e tungstênio reciclados em seus smartphones. A estrutura é feita inteiramente de alumínio reciclado, assim como 81% do plástico da tampa traseira é reciclado.
Cronograma e testes
O plástico foi um dos primeiros materiais abordados pela Google porque representava uma porcentagem grande dos materiais presentes nos dispositivos da empresa e também porque seu ecossistema de reciclagem era mais desenvolvido.
A equipe de sustentabilidade da empresa consultou designers e engenheiros de materiais para construir uma credibilidade e identificar as formas mais adequadas de influenciar os cronogramas de desenvolvimento, disse Stuber.
“Frequentemente, são necessários muitos anos — às vezes, pode levar uma década — até que você realmente veja essas iniciativas implantadas em seus produtos”, afirmou. “É realmente importante entender as coisas de forma holística”.
A jornada rumo ao conteúdo reciclado geralmente começa com apenas uma peça; depois que a transição é bem-sucedida, fica mais fácil abordar materiais adicionais. “Escolhemos os materiais estrategicamente para demonstrar que isso era possível e para construir uma confiança em toda a nossa organização”, disse Stuber.
Como a Google enfrenta possíveis objeções
As preocupações de design e engenharia relacionadas aos materiais reciclados vão da estética a fatores de desempenho. A Google terceiriza a produção de sua tecnologia, mas sua equipe interna é responsável por garantir que os materiais reciclados não afetem as linhas de produção.
“A verdade é que, se você conseguir entender bem que haverá diferenças entre o material virgem e o material reciclado pós-consumo, e puder levar isso em conta no seu processo de qualificação e fabricação, conseguirá trabalhar bem na [área de produção]”, disse Sidd Dev, engenheiro sênior de materiais da Google.
Pontos a considerar
Degradação da cor. Isso é particularmente verdadeiro para os plásticos, que podem amarelar ou ser contaminados por manchas pretas. Essas considerações podem exigir mudanças nas fórmulas da resina ou a escolha de cores diferentes das utilizadas nos materiais virgens.
Atributos mecânicos. Escolher materiais reciclados pode exigir mudar a espessura dos componentes ou ajustar os moldes, para acomodar a forma como eles respondem sob estresse ou mudanças de temperatura. Também pode haver diferenças de peso. “Isso não significa que haverá problemas; apenas precisamos planejar com antecedência”, disse Dev.
Controle de qualidade. Encontrar fornecedores confiáveis é indispensável, e são necessárias certificações de terceiros. A Google procura primeiro seus fornecedores atuais e oferece aos novos – com menos experiência no trabalho com materiais reciclados – os parâmetros que precisarão cumprir. Isso não era uma prioridade inicial, disse Stuber, mas é vital para a escala e acontece vários anos antes de um lançamento.
Testes tradicionais. Os dispositivos feitos com materiais reciclados devem resistir aos mesmos testes – queda, calor, resistência química e união de metais – dos que são fabricados com materiais virgens. A Google documenta todas as diferenças, positivas ou negativas.
“Essa foi a forma que encontramos para construir a confiança dentro de nossa organização – a de que estamos elaborando os planos corretos”, disse Dev.
Artigo original (em inglês) publicado por Heather Clancy na Trellis.

SOBRE A AUTORA
Heather Clancy
VP e Editora do Grupo Trellis (ex-GreenBiz) e especialista em narrar estratégias de liderança que permitem a ação climática corporativa. Jornalista premiada, ela começou sua carreira na editoria de negócios da United Press International. Seus artigos já foram publicados na Entrepreneur, Fortune e The New York Times, entre outros.
NOTA

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