Cinco designs que dificultam a IA vigiar sua vida
Com a inteligência artificial (IA) avançando cada vez mais sobre os aspectos de nossa vida cotidiana, cresce a tendência de fadiga e cinismo em relação à tecnologia. Aqui, reunimos cinco designs que dificultam a IA vigiar sua vida e que reagem ao boom da inteligência artificial.
A IA tem provocado manchetes em todo o mundo por conta de seu uso controverso de vigilância em massa feita por vídeos, coleta de dados e golpes com deepfakes. Em resposta [a essa invasão de privacidade], designers estão criando maneiras inovadoras de proteger as pessoas de alguns dos aspectos mais sinistros da IA.
Embora alguns dos designs possam ter sido desenvolvidos para estimular conversas sobre os usos da IA, o avanço cada vez maior da tecnologia pode fazer com que tais designs se tornem altamente procurados em um futuro próximo.
Designs da Digital Camouflage, de Simon Weckert

O designer Simon Weckert criou uma camisa com estampa colorida que funciona como camuflagem contra sistemas de vídeo de IA ao subverter aquilo que eles reconhecem como uma pessoa.
A camisa Digital Camouflage foi desenvolvida em resposta a um projeto-piloto de vigilância por vídeo com o uso de IA na estação Kottbusser Tor, em Berlim. O design proporciona uma maneira de tornar seu usuário indetectável. Seus padrões marcantes foram desenvolvidos em um fluxo de trabalho de tentativa e erro com a IA, conhecido como “loop adversarial”.
“[O uso da IA] foi necessário porque os pontos cegos de uma máquina não são intuitivos para os humanos; não é possível criar algo contra a percepção da máquina apenas com os olhos, somente a máquina pode dizer o que ela não consegue enxergar”, disse Weckert.
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Quartz, da Modem e Retinaa

O Quartz é um conceito de anel que funciona como um método de verificação da identidade humana, desenvolvido pelos estúdios de design Modem e Retinaa para combater os golpistas que usam deepfakes de IA para se passar por outras pessoas.
No design, duas pessoas encostam seus anéis Quartz durante um aperto de mão, estabelecendo um vínculo criptografado que comprova sua identidade quando elas interagem posteriormente pela internet ou por telefone.
O conceito Quartz incorpora tecnologias que existem atualmente: a biometria das veias dos dedos para identificar o usuário, a comunicação por campo próximo para criar uma conexão entre os anéis e a criptografia para posteriormente confirmar a identidade de ambas as partes durante as interações remotas. Mas tais tecnologias precisariam ser miniaturizadas e ter seu consumo de energia otimizado para caber em um anel que possa ser usado.
Designs Decoy Font, da Mixfont

A ilusão de ótica está presente no Decoy Font, que exibe duas mensagens sobrepostas legíveis por humanos, enquanto os chatbots de IA e modelos amplos de linguagem, como o ChatGPT, conseguem ler apenas uma.
A fonte foi desenvolvida pela empresa Mixfont para as pessoas que querem evitar que seus dados sejam coletados e como ponto de partida para uma conversa sobre as questões relacionadas à IA e à confiança pública.
“[Ele] começou como uma exploração de como a IA e a tipografia se cruzam, mas também pretendia conscientizar sobre o alcance e as capacidades cada vez maiores da IA”, disse o fundador da Mixfont, Eric Lu. “Acho que a reação à fonte mostra que há muitas pessoas que sentem uma fadiga grande em relação à IA e querem uma maneira de se defender contra a presença dela em suas vidas”.
Manifesto Collection, da Cap_able

Criada pela start-up italiana de moda Cap_able, Manifesto Collection é uma série de roupas de malha adornadas com padrões coloridos e projetados para enganar programas de software de reconhecimento facial em tempo real.
Testadas pela YOLO (sistema de detecção de objetos), as pessoas que vestiram os suéteres, as camisetas, as calças e os vestidos da Manifesto Collection ficavam indetectáveis pelo software de IA ou eram identificadas como animais cujos padrões aparecem nas roupas, como cães, zebras ou girafas.
“Em um mundo no qual nossos dados são o novo petróleo, a Cap_able aborda a questão da privacidade ao abrir a discussão sobre a importância de se proteger contra o uso indevido de câmeras de reconhecimento biométrico: um problema que, se negligenciado, poderá congelar os direitos do indivíduo, incluindo a liberdade de expressão, associação e livre circulação em espaços públicos”, disse a cofundadora da Cap_able, Rachele Didero.
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Designs Incognito, de Ewa Nowak

Outro item que pode ser usado e que foi criado em protesto contra a tecnologia de reconhecimento facial é a “máscara“ Incognito, projetada pela designer polonesa Ewa Nowak para tornar o rosto do usuário irreconhecível pelas câmeras e sistemas de IA, além de funcionar como uma peça estética de joalheria facial.
Composta por formas geométricas de latão e fixadas a um longo fio moldado aos contornos do rosto, Nowak criou a “máscara” em uma tentativa de recuperar o anonimato que, segundo ela, foi perdido [com o surgimento das] câmeras de detecção facial instaladas em espaços públicos.
“As câmeras são capazes de reconhecer nossa idade, humor ou sexo e precisamente nos associar ao banco de dados – o conceito de desaparecer na multidão deixa de existir”, disse Nowak. “Isso tem um enorme valor na forma de uma maior segurança e detecção de indivíduos perigosos. Por outro lado, em que direção a vigilância da sociedade irá se desenvolver?”
Fonte: Dezeen
Este texto foi traduzido diretamente do artigo original publicado em inglês por Amy Peacock no site da Dezeen, a qual detém os direitos autorais sobre o mesmo e proíbe que ele seja reproduzido a partir do site da Sustenare News. Caso deseje republicar algum artigo da Dezeen, por favor, leia os termos dos direitos autorais da empresa.

SOBRE A AUTORA
Amy Peacock
Repórter de arquitetura na Dezeen, concluiu com distinção um mestrado em arquitetura na Universidade de Strathclyde, em 2021, antes de ingressar como estagiária de editorial. Seu projeto de conclusão de curso envolveu o design de espaços para redes de ajuda mútua em cidades.
NOTA

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