Embalagens reutilizáveis têm novo símbolo global
Uma coalizão internacional de empresas, governos, organizações sem fins lucrativos, designers e companhias de embalagens apresentou um novo símbolo global para identificar recipientes reutilizáveis, semelhante ao triângulo de “setas em perseguição” usado para sinalizar materiais que podem ser reciclados.
O símbolo — uma seta que se fecha em si mesma — foi uma das 236 inscrições em uma competição global de design, com duração de um ano, convocada pela PR3 – The Global Alliance to Advance Reuse. Projetado pela Epigrama Studios, de Bogotá, Colômbia, o símbolo foi escolhido após uma análise de júri e testes de mercado envolvendo cerca de 1.300 consumidores e está oficialmente operacional desde 3 de junho deste ano.
“Para que a reutilização tenha sucesso, as pessoas precisam de sinais claros, consistentes e que façam a participação parecer intuitiva e conveniente”, disse Marco Cimatti, ex-diretor de design da PepsiCo e um dos jurados. “A nova marca cria uma linguagem visual unificadora para os sistemas de reutilização. Projetada com simplicidade marcante em mente, ela equilibra singularidade com um forte sinal visual de reutilização”.
A PR3, lançada em 2019, é responsável por padrões relacionados a embalagens e produtos reutilizáveis. Ela está colaborando com a empresa de certificação CSA Group em seis estruturas que determinam como as empresas podem usar as embalagens reutilizáveis; até agora, duas foram lançadas.
Sistemas de triagem, limpeza e coleta de embalagens são difíceis de escalar
Em geral, as embalagens reutilizáveis são definidas como aquelas que podem permanecer em circulação por 10 a 100 usos antes de precisarem ser recicladas ou reindustrializadas para terem outras utilidades.
Consideradas uma alternativa ambientalmente preferível às opções de uso único, elas poderiam, se amplamente adotadas, reduzir em 80% as emissões de gases de efeito estufa relacionadas a embalagens. Redes de fast-food, incluindo o Burger King, Starbucks e KFC, estão testando várias abordagens, inclusive tornando mais simples para os consumidores usar copos recarregáveis.
Os sistemas necessários para a triagem, limpeza e coleta, porém, são difíceis de escalar. A iniciativa Loop da TerraCycle, por exemplo, ficou limitada à França e a varejistas como o Carrefour após fracassarem em grande parte dos testes realizados em outros mercados, inclusive nos EUA.
O novo símbolo apresentado pela PR3 pode ser usado em embalagens e equipamentos de reutilização depois de serem certificados segundo os padrões de marcação e rotulagem da aliança, que serão publicados em breve pelo American National Standards Institute. Ele aparecerá em copos reutilizáveis, utensílios para alimentos, garrafas e outros recipientes, bem como em equipamentos de coleta, lavagem, triagem e transporte.
Alguns prestadores de serviço já estão usando os símbolos em recipientes e infraestrutura em todos os continentes, exceto na Antártica, disse Amy Larkin, cofundadora e diretora da PR3. Entre os exemplos estão a Muuse, que administra o programa de copos reutilizáveis da Starbucks em Hong Kong, e a Re-Universe, que está colaborando no Reino Unido com a MasterCard em sistemas para gerenciar depósitos de copos reutilizáveis.
A maioria dos sistemas de circularidade atuais é proprietária e limitada a itens ou mercados específicos. Isso significa que o copo ou recipiente reutilizável fornecido por um restaurante, varejista ou empresa de produtos de consumo provavelmente precisa ser devolvido para o mesmo lugar para limpeza e redistribuição. A intenção da nova marca visual é ajudar os consumidores a descobrir onde os itens podem ser entregues, independentemente do sistema.
“O símbolo de reutilização — e a reutilização de modo geral — será um verdadeiro sucesso quando se proliferar e for reconhecível pelo consumidor médio”, disse Larkin.
Artigo original (em inglês) publicado por Heather Clancy na Trellis.

SOBRE A AUTORA
Heather Clancy
VP e Editora do Grupo Trellis (ex-GreenBiz) e especialista em narrar estratégias de liderança que permitem a ação climática corporativa. Jornalista premiada, ela começou sua carreira na editoria de negócios da United Press International. Seus artigos já foram publicados na Entrepreneur, Fortune e The New York Times, entre outros.
