Investimento global em energia limpa bate recorde

Imagem de várias placas solares instaladas em um terreno gramado, arborizado e sob um céu azul ilustra o post cujo título diz que o investimento global em energia limpa bate recorde em 2025.
O investimento global em energia limpa atingiu um recorde de US$ 2,3 trilhões em 2025. Crédito: PxHere/ CC0 Domínio Público.
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  • Volume recorde de investimentos em energia limpa mostra uma maturidade do setor.
  • Transporte elétrico, renováveis e redes de energia concentram quase todo o capital investido.
  • Investimentos em combustíveis fósseis caíram e continuam menores do que os da energia limpa.

O investimento global em tecnologias e infraestrutura da transição energética cresceu em 2025, mesmo diante de incertezas econômicas e políticas. De acordo com a análise do Energy Transition Investment Trends,  relatório anual  da BloombergNEF, o total investido em setores ligados à transição energética atingiu US$ 2,3 trilhões, um recorde que representa o crescimento de 8% em relação a 2024. 

Os dados do relatório confirmam que a transformação do sistema energético deixou de ser uma tendência e virou uma realidade econômica. Investidores em todo o mundo direcionaram seus investimentos para as tecnologias que são livres de combustíveis fósseis. Tais tecnologias incluem não somente as energias renováveis, mas os veículos elétricos, suas baterias e as redes que dão suporte à crescente demanda por eletricidade.

Segundo os dados divulgados, o transporte eletrificado foi o principal motor de investimentos, com cerca de US$ 893 bilhões em 2025, destacando a expansão de carros elétricos, infraestrutura de recarga e veículos comerciais.

A energia renovável recebeu aproximadamente US$ 690 bilhões, incluindo a geração solar e eólica, mesmo com uma pequena redução no volume em algumas regiões por causa das mudanças regulatórias em mercados importantes. 

As redes eletrificadas e os sistemas de transmissão e distribuição ficaram com US$ 483 bilhões, refletindo a necessidade de modernizar as redes para acomodar mais fontes limpas e integrar armazenamento. 

Os dados do gráfico mostram que três categorias concentraram mais de 90% de todos os investimentos. Fonte: BloombergNEF. Gráfico: Sustenare News.

Esses três setores juntos representaram a maior parte dos investimentos em transição energética, sinalizando que tecnologias já mais maduras continuam atraindo a maior parte do capital global.

Embora os números impressionem, o dado mais relevante talvez não seja o tamanho do investimento, mas sua composição e ritmo de crescimento. Quando observamos para onde o dinheiro está sendo investido, fica claro que o mercado prioriza tecnologias já consolidadas.

Esse padrão revela uma lógica pragmática na qual os investidores estão apostando no que já funciona. Nesse caso, os projetos com menores riscos tecnológicos e retornos mais previsíveis concentram o capital investido. Por outro lado, áreas como o hidrogênio verde, a captura de carbono e a descarbonização industrial ainda ocupam um espaço pequeno no total investido. Isso sugere que a inovação com maior potencial para quebrar o curso normal de um processo continua dependente de políticas públicas e de incentivos mais robustos.

Queda em alguns mercados e setores

Outro ponto a se considerar é a desaceleração no crescimento percentual. Embora o volume total tenha aumentado 8% em 2025, a taxa de expansão dos investimentos está diminuindo em comparação com a de anos anteriores. Ou seja, o investimento continua crescendo, mas em um ritmo mais moderado.

Evolução do crescimento global
   AnoCrescimento do investimento
   2023+22%
   2024+12%
   2025+8%
Fonte: BloombergNEF. Tabela: Sustenare News.

Para quem acompanha as metas climáticas globais, essa desaceleração levanta questionamentos do tipo: será que a transição energética vai ser suficiente para alinhar o mundo às metas de neutralidade de carbono durante as próximas décadas?

De qualquer forma, uma das tendências mais notáveis em 2025 foi a queda no investimento em combustíveis fósseis, que diminuiu pela primeira vez desde 2020 e representou cerca de US$ 9 bilhões a menos que em 2024.

Ao mesmo tempo, o montante investido em soluções de energia limpa voltou a superar o total aplicado à oferta de combustíveis fósseis pelo segundo ano consecutivo, reforçando que a economia global está gradualmente mudando seu foco para tecnologias de baixo carbono.

Esses dados, também destacados numa outra análise, mostram que há uma mudança estrutural e global na alocação de capital. Ainda que o sistema energético mundial continue dependente de petróleo, carvão e gás, o fluxo financeiro começa a apontar para outra direção.

No entanto, o volume por si só não garante uma velocidade de transição, já que a transformação energética demanda uma expansão acelerada da infraestrutura, da modernização regulatória e da redução de gargalos industriais. Se o investimento continuar desacelerando, o risco não é o de retrocesso, mas de insuficiência frente à urgência que as mudanças climáticas exigem.

O que isso significa para o Brasil

Esse cenário abre uma janela estratégica importante para o Brasil, pois o país já possui uma matriz elétrica majoritariamente renovável, com a forte presença de hidrelétricas, eólica e solar. Em um contexto global de busca por eletrificação e descarbonização, isso pode virar uma vantagem competitiva.

Além disso, o Brasil pode se posicionar como fornecedor relevante de minerais críticos, biocombustíveis avançados e hidrogênio verde, principalmente se conseguir combinar os recursos naturais abundantes com a estabilidade regulatória e a segurança jurídica. Porém, a desaceleração do crescimento global também indica que o capital está mais seletivo, demandando que novos projetos precisem demonstrar uma viabilidade econômica clara e uma integração com as cadeias globais.

Apesar de o cenário atual indicar uma transição energética sólida, apoiada por fundamentos econômicos cada vez mais claros, ele também mostra que o desafio agora não é apenas o de investir mais, mas investir melhor e mais rápido em setores estratégicos que ainda não atingiram escala.

Visto desse jeito, o recorde de 2025 é um marco importante na corrida contra o aquecimento global, mas não representa sua linha de chegada. E para os países emergentes, como o Brasil, a questão central não é apenas acompanhar a transição energética, mas decidir qual papel estratégico eles desejam ocupar nela.

Fonte: BloombergNEF

Sobre a autoria
Matéria publicada pela Redação da Sustenare News.

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