Marca d’água do Claude vai carimbar conteúdos gerados por IA
Cerca de três quartos das páginas da web recém-publicadas atualmente contêm algum texto escrito por inteligência artificial, de acordo com uma análise da Ahrefs de 2025 envolvendo cerca de 900 mil páginas. Esse número abrange apenas texto e não considera documentos offline. A IA generativa agora produz música, ilustrações, software, fotografias e vídeos cada vez mais convincentes. O problema é que uma grande parte desse conteúdo está se tornando difícil de distinguir de trabalhos criados por humanos – o que levanta preocupações sobre transparência e segurança.
A resposta da União Europeia [UE] a essas preocupações é a regulamentação. De acordo com o Artigo 50(2) do AI Act da UE, os provedores de sistemas de IA generativa são obrigados a tornar todo o conteúdo de IA como artificialmente gerado ou manipulado.
A Anthropic, empresa criadora do Claude, assinou o Código de Prática do bloco sobre a Transparência de Conteúdo Gerado por IA, sendo uma das cerca de 190 signatárias, e agora planeja aplicar uma marca d’água nas produções do Claude em todo o seu ecossistema. Segundo a empresa, o texto receberá uma marca d’água estatística invisível, enquanto os formatos visuais compatíveis (como PNG, JPG ou SVG) receberão metadados assinados, indicando que o Claude foi usado.
A IA generativa se espalhou pela escrita, música, arte, software e praticamente tudo o que é digital. Para muitos, ela tornou o trabalho mais rápido e barato. Por outro lado, também levantou sérias preocupações sobre o uso irresponsável e segurança.
Usar a IA para gerar integralmente trabalhos acadêmicos ou em contratos de conteúdo nos quais [ela] é explicitamente proibida são preocupações válidas. Depois, há casos menos graves em que as pessoas descobrem que uma música impressionante ou um vídeo que admiraram foram gerados por IA de forma enganosa o tempo todo.
No entanto, a questão muito maior está relacionada à segurança. O conteúdo gerado por IA se tornou tão poderoso que está cada vez mais difícil identificá-lo. É claro que o vídeo de um gato musculoso fazendo moonwalk sobre o oceano não conta. Mas um vídeo de uma figura pública defendendo a violência ou um documento oficial falso pode ter consequências graves.
Essas são algumas das questões que a marca d’água e a identificação podem ajudar a resolver. A Anthropic afirma que seu “carimbo” se aplica às saídas dos modelos compatíveis em todos os lugares onde o Claude funciona, incluindo a Claude Platform API, os aplicativos Claude, Claude Code, Claude Cowork e Claude Tag. O alcance chega a produtos de terceiros desenvolvidos com a API do Claude, pois a marca d’água fica dentro do produto final, e não em uma única interface.
Os modelos lançados a partir de 2 de agosto de 2026 oferecem suporte à marca d’água desde o lançamento, enquanto a empresa trabalha para adicioná-la nos próximos meses aos modelos mais antigos, durante um período de transição permitido pela legislação da UE.
Embora a exigência seja europeia, a Anthropic está aplicando a marca d’água mundialmente desde o início, afirmando que ainda não dispõe de uma maneira duradoura de limitá-la por região.
Como funciona a marca d’água do Claude?
Para textos, a Anthropic utiliza uma versão do método SynthID-Text, do Google DeepMind. Ele não depende de caracteres ocultos ou de metadados anexados a um documento. Em vez disso, a marca d’água é criada por meio das palavras que o Claude escolhe durante a geração do texto.
Ao gerar um texto, modelos grandes de linguagem selecionam cada palavra seguinte a partir de um conjunto de candidatas plausíveis. Em muitas situações, várias palavras poderiam dar continuidade a uma frase igualmente bem, portanto a escolha normalmente é definida aleatoriamente.

Com a marca d’água no estilo SynthID, uma chave secreta e o texto anterior influenciam essa escolha. Ao longo de uma quantidade suficiente de palavras, essas pequenas escolhas se acumulam em um padrão estatístico.
Assim, embora o texto continue sendo lido naturalmente, ele agora carrega uma assinatura que um detector com a chave apropriada pode examinar para determinar se seu padrão de seleção de palavras se assemelha ao de uma geração com a marca d’água do Claude. Bem engenhoso!
A Anthropic afirma que a técnica não adiciona caracteres, não requer tokens extras, não altera a qualidade do produto final e não carrega qualquer coisa que identifique um usuário, uma organização ou um chat.
Para arquivos compatíveis, a Anthropic utiliza uma técnica mais convencional. Quando o Claude gera formatos como PNG, JPG ou SVG, ele anexa aos metadados do arquivo uma nota assinada de forma criptografada sob o padrão aberto C2PA. Nada na imagem em si é alterado. A credencial registra que o Claude criou ou processou o arquivo e não contém informações pessoais.
Um leitor compatível pode inspecionar essa credencial e determinar que o Claude processou o arquivo. Como as informações são assinadas com criptografia, elas também podem ajudar a revelar se a credencial ou o arquivo foi adulterado posteriormente.
Embora a Anthropic tenha descoberto como marcar suas saídas de texto, ela ainda está descobrindo como detectar essas marcações. A Anthropic afirma que uma API de detecção de marca d’água está a caminho, mas ainda não finalizou como ela funcionará. Para arquivos, qualquer ferramenta compatível com C2PA pode ler as credenciais do mesmo, e a empresa promete seu próprio verificador.
Atualmente, a Anthropic reconhece que suas marcas d’água são sinais, e não uma prova definitiva de geração por IA. Uma marca d’água detectada mostra apenas que em algum momento o Claude provavelmente esteve envolvido, não que um humano não tenha escrito o conteúdo.
Como a marca d’água é anexada a quaisquer palavras que o Claude escolhe, ela não consegue separar uma autoria de uma assistência. A Anthropic observa que ela “não consegue distinguir ‘o Claude escreveu isto’ de ‘o Claude editou isto extensivamente’”, e que uma tradução produzida pelo Claude é totalmente marcada porque cada palavra é escolhida por ele.
No lado da detecção, a empresa também admite que, embora uma edição leve provavelmente não remova completamente a marca d’água, “uma reescrita completa na qual todas as palavras são substituídas o fará”, momento em que, argumenta, o texto já é pouco gerado por IA de qualquer maneira.
Textos que tenham sido amplamente reescritos, parafraseados, traduzidos ou misturados com outros textos podem perder uma boa quantidade do padrão estatístico do Claude de maneira que podem se tornar indetectáveis. Em termos práticos, alguém que deliberadamente tente ocultar o envolvimento do Claude poderia simplesmente reescrever substancialmente o produto final.
Fonte: Claude
Artigo original (em inglês) publicado por Etiido Uko na New Atlas.

SOBRE O AUTOR
Etiido Uko
Engenheiro mecânico e redator técnico sênior com mais de oito anos de experiência em documentação e relatórios. Especialista em manufatura, robótica, ciência dos materiais e aeroespacial. Seu trabalho abrange criar conteúdo para líderes da indústria, como Autodesk, Siemens, Telus e Coca-Cola, entre outras.

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