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Câmeras, sensores e IA estão redesenhando a Copa do Mundo

Imagem parcial de um campo de futebol como pano de fundo e equipamentos tecnológicos como pano de frente ilustra o post cujo título diz que as câmeras, sensores e IA estão redesenhando a Copa do Mundo.
Câmeras nos árbitros, analistas de IA e pesquisa de ponta são algumas das tecnologias usadas para melhorar o engajamento dos torcedores. Imagem gerada por IA /ChatGPT /OpenAI.
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A Copa do Mundo masculina apresenta uma oportunidade global única para mostrar novas tecnologias do futebol – desde chuteiras e bolas até sistemas digitais projetados para melhorar tanto a precisão da arbitragem quanto o engajamento dos torcedores.

O processo de levar essas tecnologias ao jogo frequentemente começa nas universidades e em outras instituições de pesquisa. A revista acadêmica Sports Engineering, da qual sou editor-chefe, publica estudos revisados por pares que são cuidadosamente monitorados pelo órgão governante global do esporte, a Fifa.

Em nossas duas coleções de estudos até o momento, temas de pesquisa proeminentes incluem o rastreamento automático de jogadores e a detecção automatizada de eventos. Outro fio de pesquisa concentra-se em verificar como sensores usados na roupa funcionam dentro dos ambientes de um estádio.

Dados obtidos a partir do rastreamento dos movimentos dos jogadores podem ser usados para criar avatares virtuais. O uso dessa tecnologia está sendo explorado para ampliar ainda mais o [engajamento do] público no esporte mais popular do mundo, tanto em termos de praticantes quanto de torcedores.

Entre os objetivos estratégicos da FIFA (2023‑27), o terceiro fala em “promover o engajamento dos torcedores, inclusive por meio do eFootball, e investir em tecnologia digital e inteligência artificial para as próximas gerações”.

Quais inovações chegaram, então, à atual Copa do Mundo de 2026, e quais outras provavelmente serão introduzidas em torneios futuros?

Ângulos ampliados de visão

Talvez a inovação tecnológica mais comentada nesta Copa do Mundo seja o uso frequente de câmeras corporais pelos árbitros. Essa visão adicional foi amplamente elogiada por oferecer aos torcedores uma perspectiva nova e fascinante sobre momentos-chave, incluindo os gols e o que os árbitros viram ao tomar decisões importantes.

Todavia, a revolução nos ângulos de visão não para por aí. Um aspecto cada vez mais comum da cobertura das partidas são as recriações 3D, por exemplo, quando decisões apertadas de impedimento são explicadas após uma revisão do VAR (árbitro assistente de vídeo). Essas recriações usam dados sobre as posições e movimentos dos jogadores via sistemas de rastreamento óptico para recriar a jogada a partir de novas perspectivas, potencialmente oferecendo aos torcedores visões inteiramente novas da ação, como do ponto de vista do goleiro.

Auxílio oficial

A tecnologia da linha do gol foi usada pela primeira vez na Copa do Mundo masculina de 2014 para determinar se a totalidade da bola havia cruzado a linha da trave. A Copa de 2026 foi além ao usar, pela primeira vez, uma tecnologia para registrar sempre que a bola deixar o campo de jogo, para um arremesso lateral ou escanteio.

Os espectadores também podem notar que há integrantes de equipes usando um tablet digital no lugar de anotações manuscritas para explicar as substituições de jogadores que desejam fazer. Isso faz com que as trocas sejam aprovadas por oficiais de partida de forma fácil, e rapidamente comunicadas aos narradores, além de ser “menos sensível às condições climáticas” na forma de um bloco de notas encharcado pela chuva

Análise de dados

A Fifa se comprometeu para que todas as 48 equipes desta Copa do Mundo “se beneficiem das mesmas capacidades analíticas pré e pós-jogo” por meio de seu sistema AI Pro. Este sistema usa “agentes de IA capazes de consultar dados estruturados de partidas” para fornecer discernimentos táticos rápidos, análises de desempenho e recomendações estratégicas.

Pesquisadores também estão explorando como rastrear os jogadores e detectar eventos automaticamente usando imagens de transmissão, em vez de tecnologia adicional de câmeras especializadas. Garantir que essas capacidades sejam disponibilizadas para além das ligas de elite do futebol é visto como importante para democratizar a forma como o jogo se desenvolve.

A bola

Cada Copa do Mundo apresenta uma bola nova. A Adidas Trionda de 2026 tem quatro painéis com formato único – o menor número já usado para fabricar uma bola de Copa do Mundo.

Feitos de poliuretano, esses painéis têm ranhuras e saliências pequenas na superfície na forma de águia, folha de bordo e estrela – símbolos usados para representar as três nações anfitriãs. Junto com as costuras, isso visa proporcionar à bola uma aerodinâmica para produzir um comportamento de voo que seja previsível e estável.

Assim como sua antecessora, a Trionda também possui um sensor interno que pode gerar dados em até 500 vezes por segundo para medir seu movimento, transmitido em tempo real aos oficiais de partida, com apoio para sua tomada de decisão.

O manual de testes de futebol da FIFA até incorpora um teste de equilíbrio para bolas que tenham esse sensor interno, cujo intuito é garantir que ele não faça com que a bola se comporte de forma imprevisível ao rolar no gramado ou viajar pelo ar.

Os campos

Alguns jogadores nesta Copa do Mundo se queixaram dos gramados temporários usados em alguns estádios, dizendo que pareciam “mais como uma superfície artificial”.

Existe uma quantidade enorme de pesquisa sobre o efeito dos campos no desempenho dos jogadores, incluindo o risco de lesão. Isso pode ser particularmente importante para as jogadoras, visto que as lesões de joelho são mais prevalentes para elas.

O manual de testes de gramado mais recente inclui um “teste de altura crítica de queda”. Esse teste foi projetado para garantir que as superfícies sejam suficientemente macias e complacentes para não oferecer um risco excessivo de lesão na cabeça de jogadores que caiam de uma altura mínima de 60 centímetros.

Design de chuteiras

A pesquisa acadêmica informa continuamente sobre as atualizações no design de chuteiras. Por exemplo, o acolchoamento na parte superior da chuteira pode prejudicar a precisão de finalização.

Estamos começando a ver chuteiras impressas em 3D usadas por alguns jogadores e que são feitas de metamateriais – materiais artificialmente fabricados com propriedades incomuns – que prometem melhorar o ajuste e o conforto.

Embora você possa ver algumas dessas chuteiras nessa Copa do Mundo, a marcha inexorável da tecnologia significa que você pode esperar que tais designs sejam comuns em Marrocos, Portugal e Espanha em um período de quatro anos, junto com muitas outras inovações atualmente em estágio de pesquisa.

Artigo original (em inglês) publicado por Thomas Allen na The Conversation UK.

SOBRE O AUTOR
Thomas Allen

Editor-chefe da revista acadêmica Sports Engineering e pesquisador da área de Engenharia Esportiva. Integrou o comitê organizador da 10ª conferência sobre A Engenharia do Esporte. Comunicador científico e palestrante em várias organizações, incluindo Institution of Engineering and Technology, British Institute of Non destructive Testing e ANSYS.

Declaração de Transparência

Thomas Allen recebeu financiamento de pesquisa da FIFA.

Parceiros

A Manchester Metropolitan University fornece financiamento como membro da The Conversation UK.


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