Pás de turbinas eólicas difíceis de reciclar ganham vida nova

Imagem de duas turbinas eólicas numa área esverdeada ao lado do mar e sob um céu azul ilustra o post cujo título diz que as pás de turbinas eólicas difíceis de reciclar ganham vida nova.
Um método novo de pesquisa transforma as pás das turbinas eólicas (difíceis de reciclar) em materiais valiosos. Imagem: Mirko Bellmann /Pexels.
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Desde a intensa radiação ultravioleta e temperaturas extremas às rajadas de vento e impactos de raios, as pás de turbinas eólicas são projetadas para suportar algumas das condições mais severas. Mas essa durabilidade torna-se um problema no fim de sua vida útil, porque as pás também são difíceis de decompor e reciclar.

Em um estudo publicado em 6 de novembro na revista Chem Circularity, os pesquisadores encontraram uma maneira de dar uma segunda vida às pás de turbinas eólicas descartadas. Ao submetê-las a um pulso breve de calor intenso, eles transformaram os resíduos em carbeto de silício e grafeno, dois materiais valiosos para a fabricação industrial. O método poderia reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEEs) entre 83%–92% em comparação com as estratégias convencionais de reciclagem, além de gerar lucro.

“Tipicamente, as turbinas eólicas têm uma vida útil em torno de 20 anos”, afirma o autor sênior do estudo e engenheiro químico e ambiental Bing Deng, da Universidade Tsinghua, na China. “À medida que as turbinas envelhecidas são desativadas, especialmente na China, onde a energia eólica se expandiu rapidamente, uma parte grande dos resíduos acaba em aterros sanitários. Isso é um desperdício de recursos”.

O aquecimento instantâneo produz dois materiais úteis

O método da equipe aproveita a própria composição química das pás. As pás de turbinas eólicas geralmente são feitas de fibra de vidro contendo sílica e resina polimérica rica em carbono. Utilizando uma técnica chamada aquecimento Joule instantâneo (flash Joule heating), os pesquisadores aqueceram os resíduos a aproximadamente 2.000 °C (3.632 °F) em questão de segundos. Nessa temperatura, o carbono pode reagir com a sílica para formar o carbeto de silício, um material duro e resistente ao calor. Enquanto isso, o carbono também pode se reorganizar em grafeno, um material conhecido por sua resistência e capacidade de conduzir o calor e a eletricidade.

Pesquisadores prepararam amostras de resina reforçadas com carbeto de silício e grafeno recuperados de pás de turbinas eólicas descartadas para um teste de desempenho sob tração. Imagem: Hao Bi /TechXplore /Reprodução.

Os pesquisadores descobriram que adicionar as pás decompostas a outros materiais tornou esses materiais mais úteis em vários contextos, inclusive na fabricação de turbinas eólicas novas. Apenas 0,3% em peso dos materiais recuperados tornou a resina mais rígida e resistente, além de melhorar em 27% sua resistência à deformação sob tração e em 9% quando submetida à flexão. Em uma concentração de 0,1% em peso, os materiais aumentaram a difusividade térmica da resina em 41%, permitindo que o calor se propagasse mais rapidamente.

“A mistura de carbeto de silício e grafeno pode ser incorporada novamente às resinas utilizadas na fabricação de pás de turbinas eólicas novas, melhorando suas propriedades mecânicas e térmicas”, afirma Deng.

Menos emissões e possibilidade de lucro com a reciclagem das pás de turbinas eólicas

Além de criar novos materiais valiosos, o processo poderia oferecer uma alternativa mais limpa e econômica às técnicas convencionais de reciclagem, como a pirólise, que utiliza o calor para decompor os polímeros em óleo e gás, e a dissolução química, que utiliza solventes para separar a resina das fibras de vidro. O novo método poderia reduzir as emissões de GEEs em aproximadamente 83% e 92% em comparação com a pirólise e a dissolução química, respectivamente.

“Com os métodos convencionais de reciclagem, é preciso gastar dinheiro para processar os resíduos. Mas nosso método poderia, na verdade, gerar um lucro em torno de US$ 80 por tonelada, porque o carbeto de silício e o grafeno recuperados são valiosos”, afirma o primeiro autor do estudo e engenheiro ambiental Hao Bi, da Universidade Tsinghua. “Comparativamente, a pirólise custa cerca de US$ 460 por tonelada, enquanto a dissolução química custa aproximadamente US$ 1.800 por tonelada”.

A equipe está trabalhando em uma maneira de ampliar a escala do processo e espera colaborar com os parceiros da indústria. O método também poderia ser adaptado para processar outros materiais duráveis utilizados nos setores aeroespacial, de fabricação automotiva, de encapsulamento de componentes eletrônicos e da construção civil.

“Isso é mais do que uma reciclagem. É o reaproveitamento com alto valor agregado”, afirma Deng. “Estamos transformando algo que tem pouco valor em algo que vale muito mais”.

Mais informações: Upcycling of waste wind turbine blades by electrothermal reduction toward circular resin composite applications, Chem Circularity (2026). DOI: 10.1016/j.checir.2026.100201. www.cell.com/chem-circularity/ … 3051-2948(26)00197-0.

Fonte: Cell Press

Artigo original (em inglês) publicado pelo periódico Cell Press na TechXplore.


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