A mudança climática impacta nossa vida diária – Construir uma economia da adaptação é vital

Imagem de trabalhadores agrícolas numa plantação ilustra o post sobe como a mudança climática impacta nossa vida diária e como construir uma economia da adaptação é vital.
A China está oferecendo apoio por meio de políticas públicas para a próxima geração de sistemas agrícolas intensivos e resilientes ao clima. Imagem: PxHere.
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A economia da adaptação climática para as empresas, investidores e os formuladores de políticas está cada vez mais relacionada à inovação e às oportunidades, além dos riscos. Isso não ocorre porque os riscos climáticos estejam diminuindo. Muito pelo contrário – ocorre porque muitas empresas agora podem fornecer bens e serviços necessários – em um mundo impactado pelas mudança climática – que sejam acessíveis, escaláveis, lucrativos e passíveis de investimento.

As empresas, cidades, nações, regiões e, de fato, os próprios domicílios bem-sucedidos de amanhã dependerão de sua capacidade de administrar os riscos e as realidades de um mundo mais quente por meio da oferta de bens, serviços e soluções acessíveis. A maior parte deles será fornecida por empresas. A refrigeração é um exemplo disso. As vendas de aparelhos de refrigeração em toda a Europa dispararam no verão de 2026, com um varejista relatando que as vendas de ventiladores aumentaram quase 3.000% e a demanda por aparelhos de ar-condicionado portáteis cresceu mais de 300% em relação ao ano anterior.

Esse crescimento apresenta desafios imediatos, assim como oportunidades de negócios. A Agência Internacional de Energia (IEA) estima que a demanda global de eletricidade para refrigeração cresceu 50% na última década, em grande parte decorrente do atendimento das vendas globais de aparelhos de ar-condicionado, que estão 25% acima das registradas há cinco anos, com 200 milhões de unidades enviadas em 2024. Enfrentar esse desafio energético da refrigeração catalisou um mercado de unidades de refrigeração combinadas com a energia solar, mercado que deverá crescer para mais de US$ 11 bilhões por ano até 2030.

Os materiais de construção resilientes a uma mudança climática apresentam uma trajetória semelhante. Esse mercado é estimado atualmente em US$ 220 bilhões a US$ 260 bilhões, crescendo de 6% a 8% ao ano para alcançar US$ 330 bilhões a US$ 370 bilhões até 2030 – abrangendo materiais estruturais, de fachada, isolamento e impermeabilização projetados para resistir a calor, vento, inundações e incêndios.

O que é válido para as empresas e os mercados também é válido para as economias inteiras, e essa oportunidade cria a necessidade de ação por parte das políticas públicas. Assim como a energia limpa e a tecnologia evoluíram para se tornar um mercado global de investimentos de US$ 2 trilhões por ano, há um valor econômico significativo a ser obtido ao capturar uma parcela das indústrias de adaptação do futuro.

A China, por exemplo, está oferecendo um apoio considerável por meio de políticas públicas para a próxima geração de sistemas agrícolas intensivos e resilientes a uma mudança climática. Seu mercado doméstico de agricultura vertical já engloba cerca de 250 unidades em operação, cresce mais de 20% ao ano e deverá superar US$ 2 bilhões até 2033, apoiado por iluminação LED de baixo custo e cadeias de valor industriais altamente eficientes. Uma tendência semelhante está surgindo na fermentação de precisão, na qual algumas estimativas apontam para taxas de crescimento anual do mercado superiores a 50%, embora partindo de um nível relativamente baixo.

Oportunidades que se apresentam com a mudança climática


Estão surgindo indicadores da amplitude das oportunidades de mercado na nova economia da adaptação. O fundo soberano de Cingapura, GIC, previu que as vendas anuais em todo o mundo nos segmentos de mercado relevantes para a adaptação quadruplicarão, chegando a US$ 4 trilhões até 2050, com US$ 2 trilhões impulsionados diretamente pelo aquecimento global incremental. A Temasek e a BCG, da mesma forma, estimam que as necessidades globais de financiamento da adaptação à mudança climática aumentarão para algo entre US$ 0,5 trilhão e US$ 1,3 trilhão por ano até 2030, representando uma oportunidade enorme de investimento na casa dos trilhões de dólares para o private equity.

A concretização dessas oportunidades exige que os governos e outras instituições públicas criem as condições econômicas adequadas. Agora, pela primeira vez, existe uma ferramenta para medir o progresso que as nações estão fazendo na preparação de suas economias para apoiar a implementação de soluções de adaptação urgentemente necessárias.

O Index de Adaptação da Economia, da Morphosis, concentra-se na capacidade dos países de desenvolver mercados de adaptação aptos para atrair capital privado em escala diante das finanças governamentais cada vez mais restritas em todo o mundo. Ele mede sete dimensões, desde o grau em que o risco climático foi internalizado nos mercados e nas decisões de investimento até as capacidades de empreendedorismo e tecnologia.

Os dois objetivos são apoiar os formuladores de políticas na construção e gestão de roteiros econômicos para melhorar as perspectivas das empresas voltadas à adaptação e informar o número crescente de investidores que exploram as oportunidades relacionadas à adaptação sobre a capacidade de investimento dos países e de ativos específicos.

Uma adaptação climática eficaz estará entre os principais impulsionadores do valor futuro em todo o mundo – para cada ativo e empresa, assim como para cada domicílio, setor e economia. O ambiente de políticas públicas será a base de nossa resposta a essas mudanças, incluindo a “primeira linha” da adaptação: a rápida redução das emissões. Ele determinará como mobilizamos e desenvolvemos nossas capacidades e se podemos estabelecer as bases para a prosperidade inclusiva em um futuro que será severamente impactado pelo clima.

Artigo original (em inglês) publicado por Simon Zadek e Eric White no WEF.

SOBRE OS AUTORES

Simon Zadek
Sócio-gerente e cofundador da Morphosis Solutions. Secretário da Força-Tarefa da ONU sobre Financiamento Digital dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Eric White
Chefe de Resiliência Climática do Fórum Econômico Mundial. Ex-oficial da Marinha dos EUA. MPA em Desenvolvimento Internacional (MPA/ID), Harvard Kennedy School. Bacharelado em Economia pela Universidade da Virgínia.


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