A Superinteligência Artificial acende o alerta do desemprego

Imagem de um robô sentado à mesa e com as mão sobre o teclado de um laptop ligado ilustra o post que diz que a Superinteligência Artificial acende o alerta do desemprego.
A superinteligência artificial em breve vai superar a capacidade cognitiva humana em praticamente todas as áreas. Crédito: Hafiz Farooq /Pixabay.
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Aos três anos de idade, a Inteligência Artificial (IA) pode ser vista como uma criança. Uma criança prodígio, digamos. Quando foi criada, poucos imaginavam uma evolução tão rápida, a ponto de levantar preocupações quando de sua substituição por uma superinteligência artificial em um futuro bem próximo, que desde já, acende o alerta do desemprego em massa, com o poder de abalar a economia e ruir as bases sobre as quais o sistema de saúde está apoiado.

O primeiro marco da IA generativa aconteceu com o lançamento do ChatGPT, pela OpenAI, em novembro de 2022. Em seu rastro, outros chatbots, como o Gemini, Claude e Perplexity, passaram a fazer parte da rotina profissional e pessoal de milhões de pessoas ao redor do mundo.

É indiscutível como tais ferramentas permitem realizar tarefas complexas em segundos, como resumir um texto comprido ou extrair informações de relatórios densos, aumentando significativamente nossa produtividade. No entanto, esse avanço também traz consigo o crescimento do medo do desemprego, especialmente entre os profissionais que trabalham com tecnologia. E esse medo não é infundado.

Quase todos os dias somos bombardeados com notícias de que as empresas de alta tecnologia estão demitindo sua força de trabalho de forma recorrente. Grandes empresas como Oracle, Amazon e Meta são alguns dos exemplos mais recentes de demissões recorrentes.  Em muitos casos, os cortes estão ligados à reestruturação para investimento em IA ou por que as empresas buscam uma maior eficiência e lucratividade por meio da automação.

Dados recentes reforçam essa tendência. Um estudo do Goldman Sachs, divulgado pelo New York Post, revela que 25.000 trabalhadores americanos foram substituídos mensalmente pela IA no último ano, ao passo que a tecnologia criou 9.000 oportunidades, resultando em uma perda líquida mensal de 16.000 empregos, afetando principalmente os jovens da Geração Z e profissionais em início de carreira.

Apesar disso, o impacto global ainda é limitado, embora estudos indiquem que estamos avançando rapidamente para a adoção de uma superinteligência artificial — definida como um sistema capaz de superar a capacidade cognitiva humana em praticamente todas as áreas. Quando essa transição acontecer, a taxa de substituição do trabalho humano pelas máquinas deverá escalar rapidamente e criar um cenário com implicações profundas.

De acordo com uma matéria publicada na Revista Fortune, “até 2030 a IA pode automatizar até 80% dos empregos atuais”, enquanto sistemas tributários e redes de proteção social permanecem despreparados para essa transformação.

No modelo econômico atual, os trabalhadores geram renda e pagam os impostos que sustentam os serviços públicos, como o sistema de saúde. Quando a superinteligência artificial substituir uma parcela significativa da força de trabalho, como ficará a arrecadação dos impostos que são canalizados para o sistema de saúde e bem-estar da população, visto que eles são arrecadados com base em uma economia sustentada pela mão de obra humana?

A própria OpenAI reconhece esses riscos em seu documento Industrial Policy for the Intelligence Age: Ideas to Keep People First, publicado em 6 de abril de 2026. Nele, a empresa destaca que a transição para a superinteligência pode gerar instabilidade econômica e ameaçar áreas como a da cibersegurança e biologia, caso medidas adequadas não sejam tomadas.

O que fazer diante do alerta de desemprego da superinteligência artificial

Para enfrentar esses desafios, o documento da OpenAI acima citado propõe três diretrizes principais, as quais foram traduzidas na íntegra, conforme segue:

  1. Compartilhar a prosperidade de forma ampla. A promessa de uma IA avançada não diz respeito apenas ao progresso tecnológico, mas de uma qualidade de vida melhor para todos. Cada pessoa deve ter a chance de participar das novas oportunidades que a IA vai criar. O padrão de vida deveria aumentar e as pessoas deveriam ver melhorias nos materiais por meio da redução de custos, melhorias na saúde e na educação, e mais segurança e oportunidades. Se a IA acabar sendo controlada por (e beneficiar) apenas algumas pessoas, enquanto a maioria não tiver acesso às oportunidades criadas pela tecnologia, teremos falhado em cumprir a sua promessa.
  2. Mitigar riscos. A transição para a superinteligência trará riscos sérios — desde a disfunção econômica, até o uso indevido em áreas como cibersegurança e biologia, passando pela perda de alinhamento ou controle sobre sistemas cada vez mais poderosos. Sem uma mitigação eficaz, as pessoas serão prejudicadas. Evitar esses resultados exige a construção de novas instituições e de salvaguardas técnicas e estruturas de governança para que os sistemas avançados permaneçam seguros, controláveis e alinhados, reduzindo o risco de danos em grande escala, protegendo sistemas críticos e garantindo que as pessoas possam confiar na IA em sua vida cotidiana. À medida que a capacidade escalar, a segurança deve escalar junto.
  3. Democratizar acesso e individualidade. Conforme as capacidades avançam, alguns sistemas podem precisar ser controlados por questão de segurança. Todavia, a ampla participação da IA na economia não deveria depender do acesso aos modelos mais poderosos, mas de uma IA que seja útil, acessível, que preserve a privacidade das pessoas e amplie sua individualidade. Evitar uma concentração de riqueza e controle vai exigir a garantia de que as pessoas em todos os lugares possam usar a IA de modos que lhes proporcionem influência real no trabalho, nos mercados e por meio de processos democráticos.

Além dessas diretrizes, a OpenAI dá outras sugestões no próprio documento, dentre as quais – e talvez a mais radical de todas, chamada de “imposto robô” – está a criação de um fundo de riqueza semeado em parte pelas empresas de IA, para servir de investimento de ativos gerados pela própria IA e cujos retornos possam ser destinados aos cidadãos para que cada um tenha “uma participação na tecnologia que, de outra forma, tornaria suas habilidades obsoletas”, sugere a OpenAI.

Em retrospecto, o avanço acelerado da inteligência artificial, embora traga ganhos expressivos de eficiência e produtividade, também levanta preocupações profundas sobre o desemprego em massa, a desigualdade e os impactos estruturais na economia e no sistema de saúde.

A possível transição para uma superinteligência intensifica esses riscos e demanda respostas urgentes. Nesse contexto, torna-se fundamental adotar medidas que promovam a distribuição dos benefícios, reduzam os perigos e ampliem o acesso à tecnologia, garantindo que seu desenvolvimento não comprometa o bem-estar coletivo, mas contribua para uma economia mais sustentável e uma sociedade mais equilibrada.

Fonte: OpenAI

Sobre o autor
Fernando Oliveira é o fundador e editor da Sustenare News. Ele fez universidade na Califórnia, onde morou por dez anos, durante os quais trabalhou para empresas de tecnologia e do ramo editorial. Fernando é Doutor em Energia pela Universidade de São Paulo (USP), pós-graduado em Educação, e graduado em Administração de Empresas e em Ciência da Computação.

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