SIM cards maliciosos podem hackear celulares e carregadores de EV

Imagem de um SIM card e sua gaveta onde ele fica no aparelho de culular ilustra o post cujo título diz que SIM cards maliciosos podem hackear celulares e carregadores de EV.
Os SIM cards fazem parte de smartphones, veículos conectados, terminais de pagamento, roteadores, infraestrutura crítica e sistemas de recarga de veículos elétricos. Crédito: Pixabay /Domínio Público CC0.
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Os Módulos de Identidade do Assinante (SIMs), elementos seguros que são usados para conectar os dispositivos eletrônicos a uma rede móvel, podem representar sérios riscos de segurança quando comprometidos. Os SIM cards maliciosos podem hackear celulares e carregadores de EV e permitir que malfeitores coletem informações sobre seus aparelhos, interfiram em sua conectividade e sirvam como ponto de entrada para outros ciberataques [ataques cibernéticos].

Ao apresentarem suas descobertas na Conferência USENIX WOOT sobre Tecnologias Ofensivas de 2026, em Baltimore, pesquisadores da Universidade de Birmingham revelaram uma nova superfície de ataque exposta a SIMs maliciosos e comprometidos.

Um recurso conhecido como SIM Proativo permite que um SIM card (ou cartão SIM) envie um número limitado de comandos especiais diretamente ao modem de um dispositivo. Um deles permite que o SIM solicite a execução dos chamados comandos AT — o mesmo tipo de comando usado para controlar e configurar modems desde os anos 1980.

Tomasz Piotr Lisowski e o Dr. Marius Muench trabalharam com Kristian Covic, da empresa de segurança de TI Fuzzware, para desenvolver o kit de ferramentas CATana e explorar os perigos dos comandos AT originados de SIMs em dispositivos diferentes.

Como o CATana expôs os riscos dos SIM cards

Os pesquisadores investigaram 26 dispositivos representativos: 18 smartphones e oito módulos de IoT conectados à rede celular, incluindo os módulos comumente incorporados em carregadores de veículos elétricos (EVs), equipamentos industriais e carros conectados. Os dispositivos estudados não se limitaram a qualquer fabricante ou sistema operacional específico.

Depois de identificar que vários dos dispositivos analisados executariam comandos AT originados de SIMs, os pesquisadores usaram o CATana para demonstrar as ameaças representadas pela interface AT do SIM resultante, o que levou à descoberta de diversas vulnerabilidades de segurança. Exemplos de ataques possibilitados pela presença de uma interface AT do SIM incluem:

  • Reativar interfaces de depuração desativadas;
  • Roubar informações sensíveis, como o identificador único de um dispositivo;
  • Enviar mensagens ou iniciar chamadas;
  • Obter capacidades de execução arbitrária de comandos no processador de comunicação da vítima;
  • Forçar um dispositivo a fazer downgrade de uma conectividade 4G segura para redes 2G mais antigas e menos seguras;
  • Desligar o dispositivo da vítima;
  • Desativar completamente as comunicações celulares.

“A parte fascinante aqui é que as capacidades proativas de um SIM e a superfície de ataque resultante estão explicitamente definidas nas especificações técnicas para a comunicação celular, resultando em ataques ‘compatíveis com a especificação'”, disse o Dr. Muench, professor assistente de ciência da computação na Universidade de Birmingham.

“Antes de nós, outros pesquisadores, especialistas em cibersegurança e documentos de inteligência vazados já mostraram alguns dos perigos de SIMs hostis. No entanto, os riscos resultantes não foram totalmente mitigados”, disse ele. “Provavelmente, isso ocorre porque os SIMs hostis não são incluídos na maioria dos modelos de ameaça, embora estejamos vendo lentamente uma mudança promissora nesse sentido”, concluiu.

Quatro caminhos para SIM cards hostis

Com base em trabalhos anteriores, a equipe de pesquisa destaca os quatro cenários de ataque que levam a SIMs e eSIMs maliciosos ou comprometidos, apoiados por precedentes de incidentes do mundo real:

  1. Ataques remotos que exploram as vulnerabilidades no software do SIM;
  2. Ataques físicos que substituem o SIM card de uma vítima ou instalam um implante de hardware;
  3. Operadoras comprometidas que abusam de recursos de gerenciamento remoto de SIM cards;
  4. Ataques de cadeia de suprimentos que modificam os SIM cards durante sua fabricação ou distribuição.

Os pesquisadores apontam que os riscos dos comandos AT originados de SIMs são especialmente relevantes para os dispositivos de IoT [internet das coisas], como os equipamentos industriais, os sistemas veiculares ou os roteadores, já que esses costumam ser bloqueados com apenas um número limitado de interfaces expostas. A presença de uma interface AT do SIM poderia, portanto, servir como um ponto de entrada imprevisto para comprometer ainda mais o dispositivo da vítima.

O estudo também comenta sobre o risco mais geral de SIM cards proativos, que podem transformar os dispositivos das vítimas em ferramentas de vigilância. Durante o trabalho que antecedeu a publicação do artigo, os pesquisadores descobriram que, em dispositivos Android recentes, um SIM card malicioso era capaz de forçar o telefone a abrir um site controlado por quem fez o ataque sem qualquer interação do usuário, mesmo com o telefone bloqueado.

Os pesquisadores argumentam que muitos recursos de SIM proativo são tecnologias legadas construídas pensando apenas em SIM cards benignos. Porém, à medida que a tecnologia e a superfície de ameaça evoluem, muitos desses recursos deixam de ser necessários e criam riscos desnecessários de segurança.

Covic disse: “Na Fuzzware, estamos muito felizes por podermos apoiar este projeto de pesquisa. SIMs cards hostis são um vetor de ataque negligenciado, e é ótimo que tenhamos conseguido demonstrar isso com nosso trabalho”.

Os fabricantes começam a reforçar a segurança dos dispositivos

Os pesquisadores não pararam depois que encontraram as vulnerabilidades. Eles também entraram em contato com a Associação GSM (GSMA) e com os fabricantes de chips e dispositivos afetados para resolver os problemas identificados.

“Foi ótimo trabalhar junto com as empresas afetadas e a GSMA. Nossos relatórios foram tratados com seriedade, e fabricantes-chave disponibilizaram atualizações de software e configurações reforçadas para seus clientes”. Dr. Muench refletiu. “Isso beneficiará bilhões de futuros dispositivos habilitados para SIM operando em todo o mundo, incluindo smartphones, veículos conectados, terminais de pagamento, roteadores, infraestrutura crítica e sistemas de recarga de veículos elétricos”.

Questionado sobre a possibilidade de pesquisas futuras, Lisowski disse: “Os ataques que encontramos apenas arranham a superfície do que é possível fazer com os SIM cards hostis. Continuaremos trabalhando para conscientizar o púbico sobre esses ataques e esperamos cooperar com os fabricantes e com os órgãos de padronização para remediar os riscos nos dispositivos atuais e futuros”.

Os problemas identificados pelos pesquisadores como parte do estudo estão registrados sob os códigos CVE-2025-48618, CVE-2026-57550 e CVD-2026-0122.

Mais informação: Artigo da Conferência: www.usenix.org/conference/woot … resentation/lisowski

Fonte: Universidade de Birmingham 

Artigo original (em inglês) publicado pela Universidade de Birmingham na TechXplore.


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