Casas sustentáveis podem tornar moradias mais acessíveis

Imagem de gruas por trás de prédios em construção ilustra o post que diz que as casas sustentáveis podem tornar moradias mais acessíveis.
Adotar um design sustentável na construção de edifícios pode reduzir contas de energia, melhorar as condições de vida da população e fortalecer a resiliência aos impactos climáticos. Crédito: Unsplash /CC0 Domínio Público.
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A descarbonização do setor de edifícios e construção desacelerou, mantendo-o como uma grande fonte de emissões e cada vez mais vulnerável aos impactos climáticos e aos choques nos preços da energia, segundo um novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP) [órgão da ONU] e da Aliança Global para Edifícios e Construção (GlobalABC), o qual sugere que a construção de casas sustentáveis podem tornar moradias mais acessíveis.

A décima edição do relatório “Global Status Report for Buildings and Construction (2025–2026)” avalia o progresso do setor com base em sete indicadores-chave que abrangem políticas, financiamento, tecnologias e investimentos alinhados aos compromissos globais rumo a uma trajetória de emissões net zero até 2050.

Publicado em meio a uma crise global de acessibilidade à moradia e à energia, o relatório destaca como [a adoção de um] design sustentável em edifícios pode reduzir contas de energia, melhorar as condições de vida e fortalecer a resiliência aos impactos climáticos, ao mesmo tempo em que reduz as emissões de gases de efeito estufa (GEEs).

“Desde casas e escolas a hospitais e locais de trabalho, as moradias desempenham um papel fundamental em nossas vidas”, afirmou Inger Andersen, diretora-executiva da UNEP. “Os edifícios podem tanto consolidar riscos climáticos quanto proporcionar condições de vida mais seguras, saudáveis e acessíveis. Com metade dos edifícios no mundo ainda para serem construídos ou reformados até 2050, os governos têm uma oportunidade crítica – por meio de políticas e investimentos melhores – para impulsionar construções resilientes ao clima e com emissão zero”.

Estima-se que todos os dias [empresas] construam 12,7 milhões de metros quadrados de área útil no mundo — isso representa aproximadamente o equivalente a adicionar quase toda a cidade de Paris em novos espaços construídos a cada semana.

Em 2024, a área global de pisos de edifícios cresceu 1,7%, e chegou a 273 bilhões de metros quadrados. Esse crescimento rápido foi impulsionado principalmente pela construção em economias emergentes, incluindo a Índia e o Sudeste Asiático. O setor de edifícios e construção agora responde globalmente por quase 50% da extração de matérias primas, 37% das emissões [de GEEs] e 28% do consumo de energia.

O relatório observa que desde 2015:

  • A intensidade energética global dos edifícios — medida do consumo anual de energia de um edifício em relação ao seu tamanho — teve uma redução de 8,5%.
  • As certificações de edifícios verdes quase triplicaram.
  • O investimento em eficiência energética atingiu US$ 275 bilhões em 2024, contribuindo para um investimento acumulado de US$ 2,3 trilhões desde 2015.
  • Em 2024, as fontes renováveis forneceram apenas 17,3% da demanda energética dos edifícios, muito abaixo do necessário para uma trajetória de emissões net zero.

Desde 2020, no entanto, o progresso desacelerou, já que a transição verde não acompanhou o ritmo da construção. Para alinhar o setor a uma trajetória de emissões net zero, os formuladores de políticas devem promover a aceleração de melhorias na eficiência energética e eliminação gradual dos combustíveis fósseis, enquanto o investimento em eficiência energética de edifícios deve alcançar US$ 5,9 trilhões até 2030, equivalente a US$ 592 bilhões por ano.

O relatório destaca exemplos positivos em regiões diferentes, incluindo:

  • A União Europeia implementou políticas para combater emissões operacionais e emissões liberadas antes e durante uma construção (emissões incorporadas). Houve melhorias no desempenho energético de edifícios no Japão e na Suíçad.
  • Crescimento das fontes renováveis instaladas em prédios na Austrália, Alemanha, Índia e Paquistão.
  • Planos nacionais de ação climática (NDCs) cobrindo substancialmente estratégias para o setor de edifícios nas Bahamas, Camboja e Colômbia.
  • Atualização dos códigos de energia para edifícios na Califórnia, Quênia, Japão e Cingapura.
  • Expansão da certificação de edifícios verdes na China, Colômbia, Índia e Turquia.
  • Roteiros nacionais apoiando a transformação do setor em Bangladesh, Índia, Indonésia, Jordão, Gana e Senegal.
  • Crescimento dos investimentos e financiamentos para edifícios sustentáveis no Canadá, Nova Zelândia e Reino Unido.

UNEP e GlobalABC continuarão trabalhando para fortalecer dados, aprimorar metodologias e apoiar a formulação de políticas nacionais. Esses esforços fornecerão aos tomadores de decisão as evidências necessárias para acelerar a ação climática enquanto enfrentam desafios de acessibilidade e equidade.

Fonte: Global Status Report for Buildings and Construction 2025-2026

Artigo original (em inglês) publicado pela UNEP na TechXplore.


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